Por Lindomar Freitas de Almeida
Há situações que fogem ao nosso controle, há situações que não podemos ter controle nenhum. Este deveria ser um entendimento básico, tranquila compreensão para os pobres mortais. Mas, não é o que acontece. A falta desta compreensão é o motivo de grandes sofrimentos, de dores emocionais, por vezes, dramáticas.
Quem já entendeu e assimilou isto vê como grande limitação atitudes de pessoas que diante do imponderável (aquilo que não se pode prever) esperneiam feito crianças mimadas.
Por exemplo: o dia está claro agora e de repente...uma chuva torrencial não permite que você saia a um encontro marcado. Segue-se uma enchurrada de impropérios de todas as espécies contra os céus como se isto lhe desse algum poder de fazer a chuva parar. Outro exemplo: o filho adulto bem sucedido viaja por vários anos, sujeito responsável, constrói casa e casa-se. A mãe não queria que ele casasse e não aceita por nada neste mundo a parceira do filho, sem explicar porquê, não visita e pouco fala com o filho.
Noutro caso o sujeito planejou toda sua vida ao sair de casa. O curso universitário, as notas das provas, as amizades, as namoradas, o casamento, os filhos, as viagens... todavia a maioria das estratégias usadas não alcançaram os objetivos traçados. O sujeito deprime sentindo-se inferior aos demais.
Passaria minha vida toda descrevendo situações reais motivo de sofrimentos, em síntese: o Eu ideal bem distante do Eu real.
Geralmente ocorre que esquecemos de dar lugar para o IMPONDERÁVEL em nossas vidas. Esquecemos daquilo que foge ao nosso controle, daquilo que não cabe em nossos planejamentos, daquilo que não podemos prever.
Como pouco se reflete sobre o IMPONDERÁVEL, as perdas se tornam dramáticas e a maior delas, a morte, incompreensível.