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terça-feira, agosto 10

Presentes e a Gratuidade



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Por Lindomar Freitas de Almeida
Raro quando recebemos livre de apegos um presente de alguém. Geralmente presentes estão investidos de algum interesse. Dá-se algo, mas, fica o desejo de ver o presenteado com o mimo.
Certa vez conheci uma senhora que “doou” um anel para um amigo, mas, quando não o via com anel ficava triste e algumas vezes perguntava pela doação. Outro dia ouviu dele que perdeu o presente. Pronto foi o suficiente para o afastamento e as relações definitivamente cortadas.
Conheci o Sr. João que ganhara uma quantia em dinheiro para comprar tijolos para sua casa, mas, ele acabou por usar uma parte para financiar uma TV, o que deixou o doador enraivecido: ‘pobres diabos, ajudamos e vejam o que fazem!!’
Uma idosa ‘doou’ um vaso com uma planta rara para o Felipe. Todavia, três vezes por semana passava por sua casa para visitar ‘nossa planta’. Como a visita incomodava repassou o 'presente' para outra pessoa.
O padre ao visitar as casas no interior recebe uma galinha de ‘presente’, um porco, etc.,. Certo tempo depois: 'Seu padre tenho em casa um menino pra batizar...'
Presentes em muitos casos funcionam como coleiras, correntes, prisões, interesses..., em maior ou menor grau. Não deixam de apresentarem-se como resquícios de uma tentativa infantil de relacionar-se.
Certamente há os casos de presentes doados com um grande nível de desapego, sem interesses embutidos. Estes são atos de GRATUIDADE. Acho até que os pais desde cedo devem ajudar aos filhos a exercitarem este valor, mais, tarde será de grande relevância nas relações com os outros. Dar sem esperar qualquer forma de lucro, exceto, a serenidade que fica em si mesmo.
Penso que hoje necessitamos demais de homens e mulheres livres, porque generosos na GRATUIDADE. Assim sendo, as relações seriam menos de dependência e mais de “infinita responsabilidade pelo Outro”, no dizer de Levinas.

Rato e relações.

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