sábado, junho 19

A dor do mundo e a gratuidade


Por Lindomar Freitas de Almeida

Necessitamos de nós mesmos e precisamos do outro. Este vai-e-vem incessante cria relações interpessoais caracterizadas pelo prazer e pela angústia. Prazer pela presença que parece nos completar e angústia da incompletude que não tarda a se revelar clarividente. Há uma alegria que dura no meio dos pólos prazer e angústia: fazer o bem ao outro.

Fazer o bem sem esperar consideração de quem recebeu a bondade. Fazer o bem e sair de perto. "Esquecer" e continuar fazendo. Semear e se possível deixar que outros colham os frutos. Isto é o que se chama GRATUIDADE.

A Gratuidade nos ajuda a aceitar e a criar um biombo de proteção para não sentirmos tanto a DOR DO MUNDO.

Nos nossos dias qualquer pessoa sensível sente o grito do mundo, o grito da terra, das crianças, dos trabalhadores, das famílias, das águas, dos animais, das florestas, dos migrantes, dos pobres, dos doentes, dos sem o básico para viver com dignidade.

A dor que está fora de nós adentrando em nossa subjetividade pode empacar nosso esforço em fazer o bem ao misturar-se com nossa dor pessoal, produzindo indiferença ao que está distante de nosso próprio umbigo.

A DOR DO MUNDO pode ser cuidada com o 'unguento' da GRATUIDADE.