REFLEXÕES DO COTIDIANO
Pequenos artigos sobre temas do cotidiano: política, psicologia, filosofia e espiritualidade.
Terça-feira, Maio 22
Medo de tudo e de todos
Segunda-feira, Janeiro 23
A criança que chora e treme no adulto
- Cadê o garotinho? Respondi que ele ficara dormindo em casa.
Ele então disse:
Ele nesse momento mostrou-me seus braços que tremiam e lágrimas que teimavam em rolar em seu rosto.
- Nunca fui criança - reforçou ele.
Domingo, Dezembro 25
Da afinidade para o Bem
Segunda-feira, Outubro 17
Do bicho homem a gentileza humana
No caminho fomos conversando e ele falou-me de sua família, de seu trabalho, do trânsito e compartilhamos muitas coisas em comum. A marca de sua gentileza foi algo tão legal que o resto do dia todo transcorreu bem. Claro, o mundo ficou melhor. Passou um filme em minha mente do quanto somos dementes e, ainda bem, que somos também sapientes. Gentileza gera gentileza.
Quarta-feira, Junho 22
Ventania
Sexta-feira, Março 11
Da política sueca a política suja
Segunda-feira, Janeiro 24
Tempo fugaz
Por Lindomar Freitas de Almeida
Segunda-feira, Dezembro 27
"Estou apaixonada vou me casar".
Quarta-feira, Dezembro 22
Uma inspiração para o Natal: Nicola Winton
Sábado, Dezembro 18
Sobre carrapatos e politicagens
Por Lindomar Freitas de Almeida
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Quarta-feira, Novembro 10
Ubuntu

Uma das palavras ditas por um senhor já idoso para aquela amiga chamou-me atenção: "ela está recebendo muitos elogios é bom recebê-los, porém, estes elogios não são somente para ela, são também para todos que no passado e no presente de alguma forma ajudaram a formar sua personalidade". E dentro de mim completei: por isso, elogios não são para envaidecimento, mas, para agradecimento à comunidade humana que atravessa nossa subjetividade e eternamente fará parte de nós.
Descobri esta sabedoria em minhas doces e amargas experiências pessoais bem antes deste episódio da despedida daquela amiga. Aquele dia, no entanto, foi um estalo, um insight, que fez fechar uma configuração sobre este entendimento.
Depois de alguns anos conheci um conceito humano, no sentido profundo da palavra, de origem africana: UBUNTU.
UBUNTU é o mergulho em um sentimento de que somos humanos somente por intermédio da humanidade dos outros. Qualquer ação que fizermos neste mundo é devido em igual medida aos trabalhos e realizações dos outros. Há uma máxima africana que diz: umuntu ngumuntu ngabantu - uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas.
Este antigo conceito se assemelha ao de pensadores modernos como Morin, Capra entre outros. Além disto, é uma urgência para o mundo pós-moderno.
Quarta-feira, Novembro 3
O Imponderável
Quem já entendeu e assimilou isto vê como grande limitação atitudes de pessoas que diante do imponderável (aquilo que não se pode prever) esperneiam feito crianças mimadas.
Noutro caso o sujeito planejou toda sua vida ao sair de casa. O curso universitário, as notas das provas, as amizades, as namoradas, o casamento, os filhos, as viagens... todavia a maioria das estratégias usadas não alcançaram os objetivos traçados. O sujeito deprime sentindo-se inferior aos demais.
Como pouco se reflete sobre o IMPONDERÁVEL, as perdas se tornam dramáticas e a maior delas, a morte, incompreensível.
Domingo, Outubro 3
Não penso, logo, você não existe

Por Lindomar Freitas de Almeida
Descartes foi um dos fundadores do pensamento moderno, ele instituiu a dúvida como métódo de investigação, é conhecido o seu 'penso, logo existo'. Duvidando ele busca provar a existência do próprio eu.
Saímos da modernidade e estamos instalados na pós-modernidade ou tempo do desassossego ou modernidade líquida entre outros sinônimos. Sucede-se dramas diários de atitudes desarrazoadas. São declarações de amantes que 'assassinam por amor'; pais/mães que parem sem medir a distância abissal entre uma transa, o nascimento e educar um ser humano; cinismos, ressentimentos e deboches como moeda de troca nas relações, afetos possessivos e incapacidade de viver desapegadamente livre para amar.
A dúvida cartesiana rareou. Descartes está de ponta-cabeça: não penso, logo, você não existe.
Danou-se.
Terça-feira, Agosto 31
Pênis, carros e poderes
Por Lindomar Freitas de Almeida
Em muitas culturas o pênis é símbolo de poder. Em alguns grupos ele é ostentado, motivo de piadas, contos e lendas. Para muitos homens é uma desgraça quando ele não funciona a contento, na hora ‘H’. Na puberdade e até entre adultos quanto maior o penis proporcionalmente o sujeito se sente macho. E parceiras dadas a não muita reflexão certamente sentia-se/sentem-se atraídas por tal objeto de poder e sedução.
Hoje em dia há até quem prometa exercícios para que o epicentro da sexualidade masculina cresça alguns centímetros. E há quem pague caro por isso. Pois bem, é comum quando nos falta respostas para vazios no Ser encontrar-se compensações deste tipo.
Atualmente alguns objetos adquiriram status semelhante ao do pênis. Um se destaca: os carros. Os machos compram carros compridos, grandes e caros. Assim hiperegoicamente sentem-se vistos, apreciados, sedutores, em suma, mais poderosos. Quando andam pelas estradas e avenidas assumem a postura de ‘donos do pedaço’, competem, ameaçam aqueles carrinhos pequenos, velhos ou baratos (nem vou falar dos pedestres e ciclistas). Assumem posturas hostis e sem gentileza urbana, próprio dos homens das cavernas que provavelmente eram mais homens por causa do tamanho do ‘pinto’. E o pior sempre encontram parceiras e súditos que assim se deixam seduzir.
E os símbolos fálicos ganham perenidade, travestem-se nos vários automóveis com seus barulhos em caixas de sons sob o porta malas, estuprando ouvidos e violentando o bom senso. Outros bem compridos exibem através do tamanho seu poder, outros partem para o esnobismo e há ainda aqueles que agradecem aos céus pelo dom de ter o tal fetiche, como se Deus fosse dono de concessionária.
E quem não reflete, reproduz como modismo, como um processo da normalidade. O banal se instala e junto a tristeza do comum, da normose coletiva. A cada dia ficamos mais incapazes de desbanalizar o banal.
Terça-feira, Agosto 10
Presentes e a Gratuidade
Por Lindomar Freitas de Almeida
Raro quando recebemos livre de apegos um presente de alguém. Geralmente presentes estão investidos de algum interesse. Dá-se algo, mas, fica o desejo de ver o presenteado com o mimo.
Certa vez conheci uma senhora que “doou” um anel para um amigo, mas, quando não o via com anel ficava triste e algumas vezes perguntava pela doação. Outro dia ouviu dele que perdeu o presente. Pronto foi o suficiente para o afastamento e as relações definitivamente cortadas.
Conheci o Sr. João que ganhara uma quantia em dinheiro para comprar tijolos para sua casa, mas, ele acabou por usar uma parte para financiar uma TV, o que deixou o doador enraivecido: ‘pobres diabos, ajudamos e vejam o que fazem!!’
Uma idosa ‘doou’ um vaso com uma planta rara para o Felipe. Todavia, três vezes por semana passava por sua casa para visitar ‘nossa planta’. Como a visita incomodava repassou o 'presente' para outra pessoa.
O padre ao visitar as casas no interior recebe uma galinha de ‘presente’, um porco, etc.,. Certo tempo depois: 'Seu padre tenho em casa um menino pra batizar...'
Presentes em muitos casos funcionam como coleiras, correntes, prisões, interesses..., em maior ou menor grau. Não deixam de apresentarem-se como resquícios de uma tentativa infantil de relacionar-se.
Certamente há os casos de presentes doados com um grande nível de desapego, sem interesses embutidos. Estes são atos de GRATUIDADE. Acho até que os pais desde cedo devem ajudar aos filhos a exercitarem este valor, mais, tarde será de grande relevância nas relações com os outros. Dar sem esperar qualquer forma de lucro, exceto, a serenidade que fica em si mesmo.
Penso que hoje necessitamos demais de homens e mulheres livres, porque generosos na GRATUIDADE. Assim sendo, as relações seriam menos de dependência e mais de “infinita responsabilidade pelo Outro”, no dizer de Levinas.






